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 Boletim N°2 
 
 
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Editorial

Com o tema geral "Diagnostic Cytology, Art or Science? New Age Cytology in a Multidisciplinary Perspective" realizar-se-á, nos finais do mês de Maio de 2001, em Amsterdão, o 14º Congresso Internacional de Citologia.
É de grande actualidade esta temática. A sua escolha para uma reunião de citologia revela uma particular originalidade, aliada a uma enorme sensibilidade aos debates interdisciplinares contemporâneos.
Se é verdade que a medicina foi, desde os seus inícios, considerada "uma arte", ou, com maior rigor, "a arte" (o primeiro livro dos Aforismos de Hipócrates começa dizendo que "a vida é breve, a arte é longa, a ocasião é fugaz, a experiência é falaz, o juizo é difícil"), a medicina científica, até para defender esta sua característica, parece ter esquecido a outra componente.

Ciência ou arte?
Esta pergunta que, no campo da clínica, por causa da relação médico-doente é sobretudo maiêutica, tem, na área do diagnóstico, verdadeiro sabor provocativo.
William E. Stempsey, no seu recente livro sobre doença e diagnóstico, não deixa de abordar esta questão logo no primeiro capítulo 1. De resto, sinais de um debate novo e aprofundado sobre o que se entende por "arte" em medicina chegam-nos já desde 1981, com Pellegrino e Thomasma 2.
Em relação à clínica, o modo de estar à cabeceira do doente - inclinado - podemos encontrar arte-no-diagnóstico na habilidade e na elegância com que se interpretam factos e se lêem sinais 3. Esta "arte" aproximar-se-á facilmente de uma estética quando o campo em que nos encontramos é o do diagnóstico morfológico.
Curiosamente, um recente número monográfico do boletim da Sociedade Europeia de Filosofia da Medicina é subordinado ao tema "medicina e estética". Khushf 4 explica como é através da "arte" que o médico põe em prática capacidades imaginativas e de empatia para descobrir, as necessidades únicas do doente (indivíduo, pessoa) e para lhe responder de modo humano 5.
Mas a analogia entre a prática médica e o agir do artista é apresentada por Düwell 6, relacionando conhecimento e experiência em ordem à competência no campo respectivo 7. E uma consequência 8 que se pode tirar desta analogia é o conceptualizar a acção médica, a partir da sua teleologia interna, como procura - em diálogo multidisciplinar - de uma arte de viver.

J. M. Pereira de Almeida

 

1 STEMPSEY WE. Disease and Diagnosis. Value-Dependent Realism. Dordercht, Boston, London, Kluwer Academic Publishers, 1999: 1-9.
2 PELLEGRINO ED, THOMASMA DC. A Philosophical Basis of Medical Practice. New York, Oxford University Press, 1981: 144-149.
3 STEMPSEY WE. o. cit.: 1-2.
4 KHUSHF G. The aesthetics of clinical judgement: Exploring the link between diagnostic elegance and effective resource utilisation. Medicine, Health Care and Philosophy 1999; 2 (2):141-159.
5 ID: 152.
6 DÜWELL M. Aesthetic experience, medical practice, and moral judgement. Critical remarks on possibilities to understand a complex relationship. Medicine, Health Care and Philosophy 1999; 2 (2):161-168.
7 ID: 164.
8 ID: 165.

 

 

 

 

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